terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

domingo, 29 de maio de 2011

Passando de novo !!! Em 35mm

Em São Carlos, dia 18/05 as 19 horas, na UFSCAR, com um debate que foi muito gostoso depois da sessão.
Dia 08 de Abril, em Brasília.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Rotterdam

Não havíamos escrito sobre a seleção e exibição de TARATARA no festival holândes de Rotterdam, em Janeiro desse ano. Não pudemos ir até lá, mas amigos que estiveram presentes, disseram que foi muito boa a projeção, com pessoas interessadas e emocionadas com o filme.

1* Festival do Júri Popular

Ganhamos o prêmio do Público em Goiânia, durante o primeiro festival do Júri Popular, que rodou o Brasil com diversos curtas metragens. Agradecemos ao público goiano pela boa acolhida.

Irã e Espanha

Já faz 2 anos que voltamos do Sertão de Alagoas, após ter passado dois meses com a família Ferraz.

O filme tem seguido as palavras sábias de Seu Francisco, líder cigano: "Por que é que eu nunca morei definitivamente num setor só? Porque eu me sinto mal, me sinto mal com o ar de um lugar só".

O filme vai ser apresentado em um festival de cinema feminino no Irã e no festival "Na Rua" em Santiago de Compostela, agora no próximo verão Europeu, dentro de poucos meses.

sábado, 6 de dezembro de 2008

CLERMONT-FERRAND



Fomos selecionados para o festival internacional de curtas metragens de Clermont Ferand, na França, um dos maiores festivais de curtas do mundo. Muito felizes e satisfeitos com a notícia, passamos o dia tentando ligar para o orelhão de Carneiros-AL, para contar ao Seu Francisco e família essa bela notícia. Nada de cigano atender o orelhão, talvez tenhamos que levar a notícia pessoalmente, emoção redobrada.
De Alagoas à Clermont-Ferrand.

O outro filme brasileiro selecionado para esta edição de Clermont foi Os Sapatos de Aristeu do querido René, fotografado por Juliana e com a direção de arte de Maíra Mesquita. Estamos muito felizes de estarmos juntos nessa viagem.

Menção honrosa

Esse "post" é para dizer que ganhamos 2 menções honrosas nos últimos festivais por onde fomos.
MOSTRA DO FILME ETNOGRÁFICO DO RIO DE JANEIRO
e
FESTIVAL CINE VÍDEO DE VITÓRIA.

Ficamos muito felizes e agradecemos a presença dos que foram ver o filme nas duas cidades.
Abraços
Gato do Parque

domingo, 2 de novembro de 2008

Saudades

Nesses domingos de calor a coisa mais gostosa era ouvir Seu Francisco ou seus filhos arranhando a viola e o violão, fazendo boa música e esperando as galinhas ficarem prontas. Sabor de sertão. Sabor de Alagoas, de terras que nós percorremos já algumas vezes e onde moramos. O filme está sendo exibido por ai, em muitos festivais e a sensação de vê-lo e recordar os meses vividos com a família Ferraz, ciganos profundos, é boa. Saudades demais desse tempo. Vamos ao Rio de Janeiro então, assistir em boa sala, Odeon, o que os ciganos de Tarabatara tem para nos dizer, mais uma vez.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Curta Cinema - Rio de Janeiro

6a-feira, dia 07 de novembro, às 19:30 no ODEON

TARABATARA é o primeiro da sessão "Competição Nacional 8".

domingo, 12 de outubro de 2008

GOIANIA MOSTRA CURTAS


nesta última 4a-feira, dia 9 de outubro, TARABATARA foi muito bem recebido na primeira sessão da mostra brasileira da 8a edição do Goiânia Mostra Curtas. O filme não é unânime, o que é um bom sinal, diria Sávio Leite. Mas quem vem elogiar o trabalho, vem sempre com um sorriso no olhar e um sentimento pessoal, que transpassa à simples apreciação técnica, da boa fotografia, ou da beleza do super-8. É bom demais sentir retribuída e espalhada na tela e na platéia a paixão com a qual nos dedicamos a este tarabatara. É uma delícia ir a festival representando este filme.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

PROGRAME-SE...

Programação do curta Tarabatara
FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE SÃO PAULO- KINOROFUM 2008

Dia 22/08 - 18H00 - Espaço Unibanco Bourbon (Rua Turiassu, 2100 - 3º Piso)
Dia 23/08 - 21H00 - Cinemateca - Sala BNDES (Lgo. Senador Raul Cardoso, 207)
Dia 24/08 - 18H00 - CineSESC (Rua Augusta, 2075)
Dia 27/08 - 18H00 - Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000)

arte do cartaz: JULIANA RUSSO

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Novidades



TARABATARA acaba de ser selecionado para o
FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS DE SÃO PAULO- KINOFORUM, no final de agosto.

e

Ganhamos o Prêmio de Melhor Direção de Fotografia de curta-metragem no FESTIVAL DE TRIUNFO !!!

Obrigada.

Gato do Parque.

terça-feira, 8 de julho de 2008

por onde andamos II

Novos festivais onde TARABATARA será exibido em breve:

10º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte * 25 a 31 de julho

e

No primeiro Festival de Cinema de TRIUNFO


E foi exibido no final de Junho no festival "Message to Man" na RÚSSIA.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

sábado, 31 de maio de 2008

IMPRESSOES III- FESTIVAL DE CUIABA

"Tarabatara", documentário de Julia Zakia – vídeo – 23 min – 2007

"Diretamente do sertão do Alagoas à, provavelmente, a maior manifestação de comunicação ou interligação mundial. A diretora Julia Zakia filmou uma comunidade de ciganos (sim, com certeza eles são, entre a espécie humana, o maior fenômeno de "comunicação" entre todos os setores da Terra), no interior de um Brasil ancestral, tradicional e fechado, que pressuporia um isolamento quase indevassável; ainda mais por uma enormidade de pessoas. Mas os ciganos são assim: mal vistos, mal falados e, mesmo assim, firmando temporariamente (são nômades por excelência) vínculos em qualquer rincão do planeta. São uma raça "fenômeno" que mantém algumas manifestações como maneira de se preservarem em unidade e auto-reconhecimento. O curta fixa-se na revelação desses elementos unificadores sem apoderar-se da lógica narrativa e linear para tal. Há a fala memorial de um dos anciões do grupo, mas não é um relato lógico dos porquês do grupo; há vestígios de sua música, falas em dialeto próprio, captadas à distância – embrenhadas no meio da natureza onde sobrevivem –; imagens captadas com especial valor visual – por vezes lembrando pinturas -; manifestações e procedimentos que, tanto remetem ao marcado no nosso imaginário quando pensamos na etnia, quanto revela-os bem internados e adaptados no modo de vida local. Revela e esclarece, mas sem contar: insinuando. Belo trabalho."
CID NADER

e

A hora e a vez dos mais inspirados

"Após o longa-metragem, e o obrigatório jantar, pudemos ver o ótimo Tarabatara, de Júlia Zakia, que segue uma família cigana do sertão do Alagoas. O mais interessante é que Zakia documenta o nomadismo da família de uma maneira também nômade, abandonando por vezes o tom mais documental para se perder em abstrações muito bonitas, com um trabalho de câmera impressionante. Curioso que o filme estava programado para ser exibido em 35mm, mas foi exibido em vídeo. Dá para questionar se o 35mm do catálogo não foi um erro de impressão, pois a estética está muito próxima dos trabalhos em digital de Cao Guimarães, especialmente Da Janela do Meu Quarto."
por SERGIO ALPENDRE

OBS- Nosso filme foi feito em video e em super-8, mas finalizado em 35mm, como é requerido pela secretaria de cultura do Estado de São Paulo, no prêmio estímulo que ganhamos. Se foi exibido em vídeo, não sei dizer o porquê, mas que bom que não parece ter feito tanta diferença assim. Ficamos bem felizes com os comentários.
GATOS DO PARQUE

quinta-feira, 29 de maio de 2008

POR ONDE PASSA, PASSAMOS

O filme passa hoje a noite em Cuiabá, na competição de Curtas do 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá.
Gui César estará lá e escreve logo sobre como foi a sessão.

O filme passou no final de semana passado em Saint Marie de LA Mer, no litoral da França, durante a festa em homenagem à Santa Sara, a Santa protetora dos ciganos e dos viajantes. Estávamos lá fazendo um novo documentário sobre a festa, dirigido por Laura Mansur, fotografado por Julia Zakia, com o som de Guile Martins e atuação de Gabriela Hess.

Tarabatara já foi selecionado para os Festivais, que acontecerão em breve:

VII Festival Internacional de Cine Documental del Outro Cine – Equador 2008
Feminina fest- festival internacional no Rio de Janeiro.

E já participou do:
Festival de Brasília do cinema Brasileiro- 2007
Festival Internacional de Documentários- É Tudo Verdade- 2008
20th Rencontres Cinémas D'Amérique Latine de Toulouse- 2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Impressoes I

“Tarabatara” é a documentação da vida em um acampamento cigano. Gostei das cores, da granulação na imagem. Do cigano com uma voz que ... meu deus. Não existe entre gente deste mundo voz como aquela. E as mulheres, sempre elas, que faziam tudo ali. Os homens só mesmo cantavam. É bonito de respirar fundo quando acaba.
Anna Carolina

domingo, 6 de abril de 2008

Impressoes

Oi Júlia, vimos ontem o filme todos juntos. Ana disse que gostou mais
da parte em que a menininha pega o ursinho e sai correndo... As meninas viram e
ficaram (Marina) tentando entender a história (disseram "acho que não
entendi"), eu e Klara tentamos explicar que se tratava de um documentário e que não era
exatamente uma história do tipo que elas estão acostumadas...
Eu gostei muito de rever, e de fato o que eu disse antes sobre as falas
já não diria mais (agora pude ouvir melhor as várias falas que aparecem)...
O encanto maior que transparece para mim é esta relação que vcs
estabeleceram (de amizade, respeito, solidariedade, alegria, amizade), talvez mais
com as mulheres e crianças... (a bela cena silenciosa editada do artesão que
está na tenda e em seguida vira cambota no rio-lagoa diz muito dessa relação
estabelecida...) relação meio cúmplice que em termos de cinema e
fotografia aparece de forma primorosa (encanta essa luz que vocês conseguiram)...
A cena final da lenha é maravilhosa sem dúvida nenhuma, apenas a canção
(de igreja, medieval?) é que estranhei desta vez (talvez ficaria óbvio
demais pôr o som de uma dessas mulheres cantando?), ela traz um toque sonoro externo
ao universo deles e soa como a conclusão de vocês sobre a sacralidade e a
importância dessas mulheres, talvez a base principal da vida cigana?
Não sei, mas é belo de qualquer modo, está lindíssimo o trabalho de vcs (são
impressões rápidas ok) ...
bjs, depois nos falamos mais...
João.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Capa do dvd


Arte da capa e cartaz: JULIANA RUSSO

quarta-feira, 5 de março de 2008

DATAS TARABATARA no É Tudo Verdade!

As datas de exibição do Tarabatara são:

São Paulo

CINESESC (projeção em 35mm)
29/03, sábado, 19h

CINEMATECA BRASILEIRA (projeção em 35mm)

30/03, domingo, 15h

GALERIA OLIDO (projeção em DVD)
01/04, terça feira, 19h30
02/04, quarta feira, 17h


Rio de janeiro

UNIBANCO ARTEPLEX (projeção em 35mm)
03/04, quinta feira, 16h

terça-feira, 4 de março de 2008

NOSSA BARRACA


Essa foi nossa casa por dois meses. Como todas as outras barracas do acampamento, a frente dela dá para oeste, onde o sol se põe e por trás vinham as chuvas, nunca pela frente. Coisa de ciganos. Eles nos ajudaram a montar no primeiro dia e depois foi com a gente, quase todo dia alguma reparação. Puxa daqui, estica dali e boa vida tivemos ali.
A barraca aguentou bem os dois meses de filmagem. Dentro dela tem uma outra barraca que servia para guardar os equipamentos, protegidos (mais ou menos) do sol, da chuva, da poeira e do vento.
Como era quente ficar ai dentro entre as 10 da manhã e as 3 da tarde.
Mas a noite, meu Deus, a beleza de acordar ao relento, algumas vezes ao longo da noite e acompanhar a lua traçando seu desenho no céu.
Dormir sem teto, sem porta, sem nada. No sertão de Alagoas. Protegidos pelos ciganos e pela própria noite.
Saudades da barraca, que foi desfeita em dois segundos no dia de ir embora. Lonas negociadas, cordas também. Elásticos levados embora e a marca na terra, dois meses depois, na nossa volta, já tinha sido apagada, claro, pelo tempo, pala plantacão de feijão e pelas passadas, outras passadas.
Dormiamos em quatro ai dentro, espalhados de dois em dois. E quando o Hélio (montador) veio passar alguns dias conosco, éramos em cinco.
Apertou um pouco, mas sempre cabe mais um.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

É Tudo Verdade!



Agora sim podemos dizer onde o filme poderá ser visto.
Acaba de sair a seleção do festival de documentários É TUDO VERDADE! que acontece de 26 de Março à 06 de Abril.
Tarabatara foi selecionado entre os curtas da competição.
Logo mais colocaremos no blog a programação do festival. Também podem acompanhar as notícias do festival através do site www.etudoverdade.com.br
com a programação completa do festival nacional e internacional.
Estamos muito felizes com a notícia pois assim os ciganos de Tarabatara vão poder ser vistos nas melhores salas de cinema de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e Brasília.
...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

domingo, 6 de janeiro de 2008

BELINHA



Hoje queria falar da Belinha, o menor neném do acampamento. Nasceu enquanto estávamos ali, é a filha mais nova de Gringa, mãe de Madalena, querida adolescente companheira das feiras. O marido de Gringa é Wilson, irmão de Nega, de Meire, de Salete, todos sobrinhos do velho Francisco.
Foi a Renilde, tia de todos, que costurou esse chapeuzinho pra Belinha.
Criar um recém-nascido no acampamento é mais complicado do que dar conta das crianças já maiores um pouco, mas as mães ciganas sabem da lida e de como fazer. Era muito forte observar uma mãe e tantos filhos e os filhos já ajudando a criar os irmãos, como em todas as famílias grandes.
Os olhos dessa cigana apelidada de Gringa eram de um verde mel inesquecível, uma bela cigana. E Madalena tem seus olhos. E Belinha também já parecia ter.
Quem carrega Belinha no colo é Nega, melhor amiga de Laura e primeira cigana a chegar perto de nós, na noitinha caindo, perto do fogo, na hora de fazer o café e espantar a tristeza que vem com a noite. O fogo espanta, o café e a conversa fazem a amizade, a boa vida dos bons encontros.
Nesse começo de 2008, grande saudade bate aqui.
Bem perto da gente, todos os dias, crepitam as fogueiras da Família Ferraz...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

diário de bordo



29 abril.
Deitada na sombra do pé-de-pau, escutando as mulheres bálcãs de julia. Cada vê mais, a sensação de despedida. Ontem, os guris foram com os ciganos ao show do tal Índio Apaixonado, e julia e eu ficamos deitadas escutando música, conversando sobre este tempo aqui. Ela chorava dizendo não querer ir embora. É de fato um tempo mágico. Nos tornamos parte desta família, as relações todas se transformaram, os olhares são mais cúmplices e as desconfianças se dissolveram em um tempo de passado em comum. Hoje fui à feira com minha roupa de cigana e não me estranhei. Me sentia isto mesmo, simplesmente assim. Como se estas seis semanas aqui tivessem alimentado minh'alma para o corpo preencher os panos vermelhos que eram de nega.
Mais uma semana e um dia. Sentirei saudades daqui, destas sete semanas de fazer cinema com muita paixão pelos caminhos, pelas estórias e pelas relações. Nosso rancho, as conversas na sombra com cada um, o vozeirão do velho, a doçura do olhar de maria, o saber ficar em silencio na volta do fogo, o inferno das crianças. O vento, o fogo, nosso acordar já inteiramente rotineiro. Ficar sentada quieta só olhando as cores, os movimentos e os cantares. Como é bom fazer cinema. (...) E a sensação de estrada, de nunca saber até quando fico em cada canto e para onde vou depois, me dá uma leveza boa e guerreira. Vou construindo meus caminhos com bagagens de ventos e sotaques, aprendendo com as estórias e contando outras.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

CAMINHAR FAZ BEM



CIGANAS, MULHERES DE PRATA
TORAS DE LENHA
DENTES DE OURO
OLHAR FACÃO-AFIADO
AO ENCONTRO DO OUTRO.
QUANDO CRIANÇA BATEM E BRINCAM,
JÁ ADULTAS CRESCIDAS, SEGUEM.
ENCHEM BALDES DE D' ÁGUA,
PLANTAM, PEDEM, PAREM,
SOPRAM O FOGO.
TODA CHAMA MANTÉM ACESAS.
O MOVIMENTO EMBALO
DOS JEGUES NA ESTRADA
(MEMÓRIA RECENTE).
FOI ONTEM QUE PARARAM.
COCHILO BAMBO.
HOJE ESTÃO AQUI,
CARREGAM O RANCHO, O HOMEM, O ALIMENTO.
NÃO TROPEÇAM.
-CADÊ O PIRÃO, SEU ZÉ?
-MARIA TÁ PREPARANDO.
-AMANHÃ NÓIS PARTE?
-E QUEM SABE?

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

MEIRE e DARLAN



Encara mesmo Darlan, mostra bem desde que idade um cigano tem esse olhar.
Aprendeu a mirar assim com Dona Meire, não foi?
Mulher forte demais, corajosa, pulsante.
Linda dupla, mãe e filho.
Meire é a irmã mais velha de algumas mulheres no acampamanto. Muito ligada à elas tem uma liderança feminina forte no grupo, em relação às irmãs, principalmente.
Viúva de um dos filhos de Seu Francisco, não teve filhos.
Adotou o pequeno Darlan de uma outra cigana, aparentada, logo que esse nasceu.
A foto a seguir é do irmão de Darlan, que conhecemos em 2005 e que não mora mais no mesmo acampamento.
Ele e os pais naturais moram na Bahia, mas de tanto em tanto tempo eles se cruzam.




A Meire está bem presente no filme, suas falas sobre andar e ficar parado, e sobre sonhos.
Darlan, sempre assim, peladinho, pondo de tudo na boca, tudo mesmo.
Sorriso sempre pronto pra espantar qualquer coisa de sua frente, e esse olhar, pra proteger.
Gui César e ele se adotaram, mutuamente, do começo ao fim.
Darlan estava aprendendo as primeiras palavras nesse tempo que ali passamos e Gui para ele era "Seu Zé"...




CRIANÇADA



Crianças...
Como em quase todos lugares novos a que vamos ou tentamos ir, as crianças são anfitriãs ideais para quem as tem como importantes aliados e potenciais amores. Elas não tem muitas barreiras, tem curiosidade e abertura para receber os de fora. No caso dos pequenos ciganos não seria diferente. Foram eles que primeiro nos acolheram. Ensinaram os caminhos no mato, as brincadeiras preferidas, o contar histórias e o pedir pra contar.
Quantas vezes tivemos que repetir as histórias preferidas, "galinha ruiva", "pinóquio", "a estória da figueira", tantas outras inventadas por nós na hora, em duplas ou em trio, trasendo para o conteúdo das narrativas após almoço, na sombra, elementos dali mesmo, deles, de seus pais.
Eram muitas crianças, de variadas idades e durante esses aproximadamente 60 dias que ali ficamos, cada uma foi se personalizando, não só óbviamente sabíamos seus nomes, idades e relações internas no grupo, mas suas formas de pensar, brincar e agir.
Na foto acima, NANDO está ao lado do Guile, à esquerda. Entre as pernas de Julia está SIELMA, com SUENE logo ao lado, apoiada e sorridente.
À direita temos DIDI, com o qual começamos o documentário (anfitrião do filme) e CIÇA.
NANDO, SIELMA E DIDI são irmãos.
Os três são tios de CIÇA.
E todos são primos de SUENE.
Ao fundo nossa barraca, que aguentou muito sol e belas pancadas de chuva. Aprendemos a armar a tenda com eles, mas nos dias de chuva ela balançava que balançava, mas continuava ali, quase intacta.
Na primeira tempestade, homens e mulheres vieram nos ajudar, ensinar a fazer os "regos", escavando dois leitos de rio, um por dentro e um por fora da barraca, para a água ter por onde escoar e não empossar dentro.
Apesar disso, a umidade sempre estava ali, e esse era o maior convite para nossos inquilinos constantes, sapos gigantes entocados no quentinho da cobertura dos equipamentos.
Voltando um pouco às crianças, conforme a intimidade foi crescendo eles vinham nos acordar e não tinham mais limites e esse foi sendo nosso maior desafio com elas, como determinar as horas de brincar e de trabalhar, nosso tempo e privacidade. Exauridos às vezes, não queríamos gritar ou chamar os país, por exemplo, mas nossa didática era sarro pra eles, que pegavam fogo em certos dias. Ai só tinha uma saída mesmo, chamar as ciganas e pedir ajuda...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

FESTIVAL DE BRASILIA

Nas palavras de nosso correspondente no festival de Brasília: BATISTA FERRAZ

(SOBRE A SESSÃO)



Ontem passou o filme, aqui em Brasilia, o público gostou de verdade, assobios e palmas, nada de estrondoso porque também não é filme de estrondo. A matilha vai indo embora, levando a lenha num pacto silencioso de travessia. É o filme que tem o som mais quietinho, burburinho de molécula... muito barulho nos filmes aqui, às vezes é triste Brasília sem calçadas nem pedestres, mas quando se escapa da cidade planejada, em linha reta, cai-se na amplidão do cerrado, terra vermelha como da comunitária e cachoeiras, olhos d´água.
Depois da sessão vieram pessoas, se disseram emocionadas com o filme, com as palavras que uniram naquele palco, Guile, Gui, Julia, Laura e aquele montão de gente. Guile ofereceu a sessão aos ciganos e a Julia, de longe. Pessoas que cresceram no Nordeste ficaram realmente balançadas, imagens de infância desfilando em rebanho, em vida.
Um dos jurados, ator, nordestino, bonitos olhos de rio, esqueceu da ética e apertou muito firme a mão de Guile, olhou no olho e parecia verdadeiramente agradecido.
O filme é muito importante nessa cidade. Aqui os fluxos tentam ser contidos, não existem pobres morando no plano piloto, não existem ciganos... então os fluxos vão para longe, nas beiras das minas de água, em lugares lindos onde seu Francisco também pararia. Todos dizem que é perigoso ir até a esquina, têm medo das fronteiras... e quantos belos sorrisos também.
Preciso ir pro debate, te escrevo depois.

(SOBRE O DEBATE)



Ai pela internet quem quiser procurar pode achar algumas palavras mal escritas ou ouvidos que não querem ouvir, boca pra repetir, reproduzir e assim ao longo... O Glauber está na moda aqui, tem filme do Joel Pizzini sobre ele, e quanto o coração desse homem também não bateu, como os nossos? Ele encontrou um jeito de não parar, segundo o Calil entrou num beco sem saída, talvez por não ter ido aos atalhos que levam aos rios, ao frescor dos outros assoprando nossa cara.
A mãe do Glauber está aqui, também olhou no olho de Guile com seu sorriso de vó e disse : "Andar de jegue é bom!".
Um radialista segurou também Guile pelo braço e disse da importância do filme. Disse que tinha certeza que a gente era Cigano, queria saber sobre você, sobre a Bósnia, sobre os projetos.
O debate :
O primeiro cara que começou a falar era um careca atrofiado, crítico também, engolindo as palavras, mascando azedume, também era nordestino, e disse que ficou extremamente incomodado com as crianças fazendo macaquices, ficou incomodado com os "jumentos" aparecendo o tempo todo, disse que qualquer criança faz isso pra câmera, é o primeiro impulso.
O Gui estava vibrante e Guile, bem calmo, deram belas respostas, sem pressa sem agressão, e disseram sobre as histórias que contavam às crianças, as estórias que elas contavam... O cara não parecia ouvir. É bem provável que não tenha vivido essa liberdade no nordeste dele, não montou em jegue, não saiu pra rua com medo de ser roubado pelo cigano.
Então um homem bonito, ar de água corrente, cabelos para trás, testa elegante, olhar com dois pontos de brilho, começou a falar. Nos arrepiamos inteiros. Ele disse que foi encantamento puro, ficou enfeitiçado do começo ao fim, com vontade de estar naquela fogueira, de comer aquela galinha, erguer aquelas crianças aos céus, ouvir os conselhos do sábio Francisco... nunca vi alguém falando tão bonito do filme. Sentiu tudo, tudo que já passava por ele e encontrou caminhos para passar pelo filme, mudar de natureza, fazer novo espaço-tempo. Não analisou nada, foi convidado, enfeitiçado. O Gui sabia quem era ele, eu não. Edgar Navarro, cineasta Baiano das antigas, não sei se vimos filmes dele, mas é coisa boa. Ele falou do Super 8, do Som, da Bahia, dos ciganos da infância dele desfilando em vida na tela... eu falei que nós éramos os meninos, em infância tardia e presente, correndo atrás do comboio cigano e que desta vez, nossos pais não iriam pedir pra gente voltar, ao contrário, diriam vão meus amores, vão correndo e voltem com cobre e poeira na pele.
A mediadora do debate era uma tapada, disse que os ciganos são aculturados porque cantavam música sertaneja. Então eu deslanchei, com calma, dizendo que "aculturação" só no ponto de vista do sedentário, de quem vê o rio correr estando na margem, não se deixa levar pelas águas que correm. Disse que não existe música cigana, que ela pode procurar uma música "pura" e não vai achar. O que existe é uma musicalidade potente, correndo no sangue desse povo, fazendo suas vozes e instrumentos vibrar nas músicas dos lugares por onde passam (PORQUE NÃO PASSAM SEM SE DEIXAR MODIFICAR SIM PELO ENTORNO, SEM MUDAR DE NATUREZA NOS ENCONTROS NUM DUPLO PODER DE AFETAR E SER AFETADO) só que vibrando, por dentro destas músicas (forró, tango, Jazz) velocidades e lentidões de quem está sempre dizendo adeus o chegando de fora. Acabam, muitas vezes, tocando até melhor que a população local, desenraizam a música, sem ignorá-la, sem esmagá-la, porque sabem também senti-la no coração, com sinceridade na voz e no olhar.
Certo. terminado o debate veio uma senhora, vestido florido alegre, cabelos brancos tipo a Marilda, uns olhos parecidos com os do Batista. Ela disse : "Olha, eu não falei nada porque não sei falar assim, na frente de tanta gente. Mas foi o filme mais lindo que eu vi nesses tempos, que mais disse e mostrou o que eu precisava ouvir". Ela mora na chapada dos veadeiros, se afastou um pouco da capital, medita sim, se prepara nas águas sim e demonstrava nos olhos a alegria com que vivia a idade que tinha. A maneira como encontrava, com a idade que tinha, com as formas que possuía, de vibrar intensidades de aurora, fluxo de cachoeira.
Sim, falaram no debate da precariedade do filme. A Verinha levantou a mão e disse que é o trabalho mais elaborado do festival. Só que é um trabalho de molécula, não de estrondo.
Julia, as pessoas têm medo sim de sair da terra natal, ou de procurar uma terra natal em outro lugar, conectar as duas, traçar rotas, mapas móveis sobre um território fixo. Tenho lido os textos do Deleuze sobre os nômades, a história sempre fez vista grossa para sua importância, suas espadas, suas descobertas, seus remédios. A territorialização é confortável, meu bem. Brasília é a territorialização projetada. As fugas aqui têm de ser operadas com muita coragem, tudo conspira para ficar como está. Esta cidade foi projetada para abrigar o poder. E quanta gente linda, quantas águas correntes a gente vê se pega um ônibus, sai do plano piloto, e vai na justamente na direção em que pessoas do festival ou funcionários do hotel dizem ser perigosa.
Não importa o que digam, temos que andar. Continuamos indo, não é mesmo?
-O QUE OS CIGANOS ENSINAM DE MELHOR?
-Nos vemos do outro lado, rapaz...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O VELHO E A VELHA



Seu Francisco e Maria Ferraz, primos legítimos, casados há mais de 40 anos.
Seu Francisco é o chefe do grupo de ciganos, ele coloca as cartas para as pessoas das cidades por onde passam e é muito respeitado pela família e pelas autoridades das cidades do sertão. Montado em seu jegue, ele vai até as casas das pessoas que não querem ou não podem vir se consultar no próprio acampamento.
Maria, querida mulher sempre de cócoras, no fogo, com sua fala mansa e seu cheiro de flor e alecrim.
Ele é o sábio homem cigano que lê as linhas na mão, mas Maria mantém a vida, maria faz o fogo, a comida. Maria amamentou todos os marmanjos que vemos ali, quase todos são seus filhos.
Filhos e netos e bisnetos.
Os dois se dão muito bem, se gostam.
Francisco respeita maria.
E toda tarde quando o sol está se pondo,
os dois dividem o cirraguinho de corda,
feito por ele, aceso por ela.
Que saudades do velho e da velha.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

DENTE DE LEITE


Sim, vou saldar o brilho dos olhos
da pequena cigana Sielma.
Encanto agarrado às saias coloridas.
Amiga pequena e sincera,
doçura no piscar de olhos.
Se amanhã, na partida,
derramarmos algumas lágrimas,
é nossa conduta proteger o amor
que nos uniu no primeiro instante.
Se fosses minha filhinha, te levaria comigo,
mas não posso te tirar da sua gente.
Te amo ruivinha banguela.
Se cuida e lembra:
meu colo é macio,
trono de penas pra ti.
Bela cigana.
Olhar de paisagem
constante e antiga.

SINOPSE


TARABATARA

“Porquê é que eu nunca morei definitivamente num setor só? Porque eu me sinto mal. Me sinto mal com o ar de um lugar só.”
"Tarabatara" é um chamado ao cotidiano e aos encantos de uma família cigana do sertão de Alagoas. O documentário apreende momentos de um período de pausa no nomadismo desses ciganos. Na figura do mais velho e suas memórias, nas mulheres e crianças do grupo, com suas falas e gestos, com seus olhares e afazeres, no dedilhar do violão e na música de amor sertanejo revelado com força no canto e no olhar do cantor.

PRIMEIRO ENCONTRO-2005




Nosso primeiro contato com a família de Seu Francisco aconteceu em 2005 quando estávamos em Alagoas numa pesquisa para um fime de Gui César. Paramos em Senador Rui Palmeira e lá estavam as tendas dos ciganos. Fomos conversar e acabamos acampando junto com eles naquele noite. Desde então, o sonho era voltar e fazer um documentário, morar com eles o tempo que fosse possível. As fotos são desse primeiro encontro.

JULIA ZAKIA (com Seu Francisco)

LAURA MANSUR

GUILE MARTINS